Conheça os tipos de investimentos mais rentáveis

Quando o assunto são tipos de investimentos, diariamente ouvimos amigos, familiares e noticiário nos contando que tiveram êxito em algum tipo de aplicação, seja em ações, fundo de investimento, debêntures ou que a aplicação do momento é “A”, “B” ou “C”.

Acreditamos que nada vem sem investimento.

Digo isso porque se desejamos algo, precisamos direcionar tempo e esforço para conquistar o objetivo final.

Com seu patrimônio é a mesma lógica. É de suma importância investir em ativos consistentes, gerindo risco, respeitando os objetivos de curto, médio e longo prazo e a individualidade de cada investidor.

Se você preocupa-se com a formação do seu patrimônio, no texto abaixo abordamos as principais características dos principais tipos de investimento mais rentáveis (e menos rentáveis):

1. Investimentos em Renda Fixa

Investimentos em Renda Fixa

Os investimentos mais comuns são:

  1. Títulos Públicos
  2. CDB
  3. LCI – LCA
  4. Debêntures
  5. Debêntures Incentivadas

Antes de avançarmos sobre os títulos, gostaria de expor o seguinte conceito sobre investimentos em renda fixa. Existem dois métodos para definir quanto vale um ativo investido:

Marcação na Curva de Juros

A Marcação na Curva de Juros representa a variação do preço do ativo de maneira linear. Essa variação do preço é definida pela taxa acordada no momento da compra e vai sendo acumulada até o dia do vencimento.

Marcação à Mercado

Caso você queira vender seu investimento antes do vencimento acordado no momento da compra, o valor desse ativo será definido pelo método de Marcação a Mercado.

Diariamente o preço desse ativo varia, de maneira não linear, de acordo com as forças de mercado: oferta x demanda.

Esse tipo de marcação acontece exclusivamente para ativos que são muito negociados por uma questão de ordem prática: se o ativo não é negociado, não é possível saber o preço naquele dia. Bons exemplos desses ativos são os títulos públicos.

Para explicitar melhor, repare no gráfico abaixo. Nele demonstramos a variação de preço desde 08/02/2017 do título NTN-B Principal (IPCA+ na nova nomenclatura do Tesouro Direto) com vencimento em 15/05/2045.

Gráfico Variação Preço IPCA

Ou seja, na realidade, renda fixa não é fixa, e existe sim uma volatilidade e risco de mercado envolvido nesses ativos.

Posto isso, vamos às características de alguns investimentos:

1.1. Títulos Públicos

Investir em títulos públicos hoje pode ser considerado o investimento mais seguro ao se tratar de risco de crédito, ou seja, o risco de você não receber o recurso investido de volta.

O ativo é seguro, pois a contraparte é a Governo, contudo, a variação da taxa de juros é o fundamental risco atrelado aos títulos Indexados ao IPCA e prefixados.

Dentro de títulos públicos, podemos citar três categorias:

  • Indexados ao IPCA
  • Prefixados
  • Indexados à taxa Selic

Indexados ao IPCA

Os títulos indexados ao IPCA possuem a remuneração baseada no IPCA acumulado do período investido acrescido de uma taxa pré-fixada.

Essa taxa pré-fixada pode ser considerada o “risco Brasil” projetado para o futuro e por isso esses ativos possuem uma volatilidade diária.

Prefixados

No caso do Tesouro Prefixado, ao adquiri-lo você contrata uma remuneração composta por uma taxa.

Essa taxa varia diariamente e afeta a rentabilidade do seu Título, marcado a mercado e apenas à taxa contratada.

Esse pode ser considerado o título público mais arrojado, pois é complexo prever se aquela taxa contratada vai subir ou cair até o vencimento do título, quando o investidor terá exatamente a remuneração contratada.

Indexados à taxa Selic

Por fim o Tesouro Selic pode ser considerado o título mais conservador por se tratar de um título pós-fixado. Então a taxa contratada será sempre a taxa Selic do período em que o recurso ficou investido.

Vale ressaltar que os títulos públicos possuem um risco de liquidez baixo, ou seja, o Tesouro Direto garante a recompra desse ativo para que você possa vendê-lo.

1.2. Certificado de Depósito Bancário – CDB’s

Os CDB’s são basicamente um empréstimo que você faz o banco e em troca você recebe uma taxa que é definida no ato do investimento.

Para conseguir uma boa remuneração nesse ativo é preciso sair dos grandes bancos. A busca por CDBs nos grandes bancos é alta, portanto a remuneração oferecida é baixa.

Contudo é importante ressaltar que o risco de crédito, ou seja, o banco decretar falência é maior (por isso as taxas são maiores, para incentivar que você invista com eles).

Os CDB’s podem ter a rentabilidade pré-fixada, pós-fixada ou híbrida (Ex: IPCA + X%)

1.3. Letra de Crédito Imobiliário e do Agronegócio – LCI e LCA

As LCIs e LCAs são títulos com o objetivo de fomentar o setor imobiliário e do agronegócio, sendo esta a principal diferença entre esses investimentos.

Por se tratar de setores considerados chave para o crescimento do país, o governo abre mão do imposto de renda sobre o lucro desses investimentos.

É importante ressaltar que são produtos de emissão bancária, ou seja, os bancos são os responsáveis em colocar o investimento a disposição do público.

A rentabilidade e liquidez são definidas no momento da compra. Geralmente encontram-se esses produtos com rentabilidade atrelada ao CDI (certificado de depósito interbancário) e liquidez em vários períodos de tempo.

1.4. Debêntures

As Debêntures são os “CDB’s do setor privado”.

Ao investir nesse ativo você está emprestando seu recurso para uma empresa financiar algum tipo de investimento. Em contrapartida você recebe uma remuneração.

Os principais desafios relacionados à compra e gestão de debêntures no portfólio dos investidores é a baixa liquidez no mercado secundário e o risco envolvido nesse investimento. Podemos destacar, então, o risco de crédito, ou seja, risco da empresa não te pagar na data acordada.

Por isso a atuação do setor de análise de crédito é tão importante na gestão de um fundo que contém debêntures.

1.5. Debêntures Incentivadas

As Debêntures Incentivadas possuem isenção de imposto de renda, como o nome sugere, para incentivar as captações de empresas que contribuem para a melhora da infraestrutura do país.

Os investimentos de renda fixa que são tributáveis seguem a alíquota de IR abaixo:

Período Aplicado Alíquota
até 6 meses 22,50%
de 6 a 1 ano 20,00%
de 1 ano a 2 anos 17,50%
mais de 2 anos 15,00%

Já as Debêntures Incentivadas, a partir da Lei Federal 12.431/2011, são isentas de IR.

Tópico Bônus: Fundo Garantidor de Crédito – FGC

Tratado como linha de corte para os investidores de onde investir, o FGC garante em até R$ 250 mil por CPF por instituição, com limite total de R$ 1 milhão.

Dos ativos listados anteriormente os CDBs, LCsI e LCAs são cobertos.

Isso acontece, pois ao comprar esses investimentos você está emprestando dinheiro aos bancos, correndo o risco de crédito.

Contudo, o volume de recursos garantidos era de R$ 1,9 Trilhão. Se considerarmos a limitação de R$ 250 mil, a cobertura atingia aproximadamente R$ 1 trilhão, sendo 54,81% dos depósitos da época. Já a disponibilidades do fundo somava aproximadamente R$ 24,1 bilhões. (Dados de 2017)

Isso significa que o montante disponível no FGC para pagamento é de apenas 2,71% do volume coberto pela garantia ou 1,43% do volume total do sistema financeiro!

2. Investimentos em Renda Variável

Investimentos em Renda Variável

Destacam-se como os principais tipos de investimento em renda variável:

  1. Ações
  2. Ações Ordinárias
  3. Ações Preferenciais
  4. BDR

2.1. Ações

Ações são os investimento mais conhecidos quando falamos de renda variável.

De acordo com a B3, em 2010 o número de CPF’s de investidores era de apenas 610.915 e apenas agora, em 2019, chegamos ao número recorde de 1.161.514 investidores cadastrados.

Uma ação é a menor fração do capital social de uma sociedade anônima. O investidor de ações torna-se proprietário de uma parte da companhia. Vale ressaltar as ações podem ser nominativas ou escriturais.

Dentro dos investimentos em ações, podemos determinar duas categorias:

  • Ações Ordinárias
  • Ações Preferenciais

2.2. Ações ordinárias

As ações ordinárias são aquelas que permitem que o acionista tenha direito a voto nas assembleias.

São eles que elegem os membros do Conselho Administrativo, ou seja, os diretores que conduzem as operações da empresa definem o destino dos resultados.

Contudo, em caso de falência, os detentores de ações ordinárias são os últimos a serem quitados pela empresa.

2.3. Ações preferenciais

Já os detentores das ações preferenciais têm a preferência na distribuição de dividendos. Geralmente as ações preferenciais não dão direito a voto nas assembleias da companhia.

Todos os tipos de ações possuem liquidez de dois dias úteis, contudo não é recomendável alocação da reserva de emergência nesse ativo por possuírem maior volatilidade.

Vale ressaltar que esse é o tempo para liquidação da B3 para realização do pagamento. Existem ações que não possuem uma facilidade de liquidação, ou seja, não possuem um giro alto diariamente de compra e venda.

Em relação ao risco, o investimento em ações está ligado ao risco de mercado, ou seja, variação de preços derivada da projeção de resultados para a empresa da qual a ação é derivada.

2.4. Brazilian Depositary Receipt – BDR

Os BDR’s são certificados de valores mobiliários de emissão de companhia aberta com sede no exterior emitidos por instituição depositária no Brasil.

Esses ativos são ações de empresas estrangeiras negociados na bolsa brasileira, B3.

3. Fundos de Investimentos

Tipos de investimentos

Fundos de investimentos podem ser considerados um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores com o objetivo de obter ganhos financeiros.

Os fundos são um diferencial para os investidores que buscam uma profissionalização da gestão dos seus investimentos.

Desta forma, o investidor contrata a análise, a gestão de ativos e o gerenciamento de risco da Gestora de Investimentos, profissionalizando assim a gestão dos seus investimentos.

Existem várias categorias de fundos com diversas estratégias, vamos citar os três principais

  1. Fundo de Investimento em Renda Fixa – FIRF
  2. Fundo de Investimento em Ações – FIA
  3. Fundos Multimercados – FIM

3.1. Fundos de Renda Fixa

Essa classe de fundos deve possuir no mínimo 80% da carteira em ativos relacionados diretamente a variação de taxa de juros doméstica ou de índice de preços.

Em um fundo dessa categoria produtos como Títulos Públicos, CDBs, Letras Financeiras e Debêntures são geralmente as principais alocações.

Abaixo um exemplo de gráfico mostrando a rentabilidade de um Fundo de Renda Fixa, comparando com o Benchmark da categoria, o CDI.

Gráfico renda fixa X CDI

3.2. Fundos de Ações

Os fundos de ações deverão possuir, no mínimo, 67% da carteira investida nos ativos abaixo:

  • Ações
  • Bônus ou recibos de subscrição e certificados de depósitos de ações
  • Cota de fundos de ações e cotas dos fundos de índice de ações
  • BDR’s níveis II e III

Abaixo temos um gráfico comparando a rentabilidade de um Fundo de Ações e o Ibovespa, Benchmark dessa categoria de fundos.

Gráfico fundo de ações X Ibovespa

3.3. Fundos Multimercados

Como o próprio nome diz, essa categoria de fundo possui uma política de investimentos que permite o acesso a vários tipos de ativos, sem o compromisso de concentração em nenhum mercado específico em especial.

Desta forma, o gestor de um FIM pode alterar a composição do fundo a depender do cenário macroeconômico.

Tópico Bônus: Fundos de Previdência Privada

Pode-se considerar a previdência privada como um tipo de investimento como qualquer outro, com sua principal diferença sendo a tributação mais vantajosa para o longo prazo.

Assim, as mesmas estratégias implementadas nos fundos padrão também são implementadas nos fundos de previdência.

A vantagem dessa situação é contar com a gestão dos melhores profissionais do mercado podendo adaptar o veículo de acordo com o prazo do seu objetivo e otimizando o imposto pago.

Perfil dos Investidores

Na construção de uma carteira de investimentos é de suma importância entender o perfil do investidor, mais conhecido como Suitability no jargão do mercado financeiro.

Com algumas perguntas é possível identificar as preferências e expectativas do cliente em relação aos investimentos.

Podemos dizer que o perfil de investidor tem como base três pilares:

  • segurança
  • liquidez
  • rentabilidade

Desta forma, as perguntas respondidas indicaram qual é preferência do cliente pelos pilares citados.

Importante: como falamos nesse artigo, o Suitability é um documento de extrema importância mas não pode ser a única maneira de identificar o perfil de investidor.

Identificando o tipo de investimento para o seu perfil

Identificando o tipo de investimento para o seu perfil

Vamos trabalhar alguns exemplos:

Exemplo 1: mais liquidez (menos prazo)

Um investidor que está com recursos aplicados no mercado financeiro e identifica que irá precisar adquirir um imóvel comercial, contudo não sabe quando.

O profissional de investimentos pode deduzir que os investimentos desse cliente devem estar líquidos, ou seja, com prazo de resgate rápido e ativo seguros que não possuem uma alta volatilidade.

Desta forma, a terceira variável, a rentabilidade não será tão expressiva.

Nesse caso estamos falando de uma carteira conservadora com liquidez.

Exemplo 2: menos liquidez (mais prazo)

Por outro lado, vamos analisar o cenário de um investidor que investe recorrentemente pensando na sua aposentadoria que ocorrerá em 30 anos.

Esse investidor não está preocupado com a liquidez dos seus investimentos.

Como o horizonte de tempo é longo, 30 anos, o nível de risco pode ser maior ao comparado com uma carteira conservadora e por isso a tendência é que a rentabilidade, ao final do período, seja maior.

Um nível maior de risco gera a possibilidade de um nível maior de retorno.

Diversificação dos investimentos

É óbvio que um cliente conservador pode (e deve) ter ações nos seus investimentos, porém deve-se respeitar o percentual em relação ao portfólio como um todo, obedecendo a política de investimentos traçada.

Da mesma forma, um investidor arrojado precisa ter um percentual do seu patrimônio alocado para reserva de emergência, tanto para suprir alguma necessidade pessoal ou para um movimento rápido para captar alguma oportunidade.

Por que contar com um gestor de investimentos

A atuação ativa do gestor de investimentos na carteira dos investidores pode ter impacto determinante na escolha do tipo de investimento e consequentemente na estrutura da carteira.

A gestão independente costuma trazer benefícios interessantes para investidores com um patrimônio mais consolidado já que ela pode oferecer produtos não explorados pelos bancos e também fugir de conflitos de interesse comuns nesse cenário:

Independente do modelo de investimento, é necessário realizar um estudo e rebalanceamento rotineiro da carteira de investimentos.

Esse estudo deve sempre levar em conta o cenário macroeconômico, com o objetivo de posicionar corretamente os investimentos visando antecipar grandes eventos.

Cenário 1: alta de juros na economia

Observe o gráfico abaixo:

Gráfico cenário alta de juros na economia

Neste gráfico vemos que os investimentos em renda fixa durante vários anos superaram os investimentos em renda variável.

Isso ocorreu por tratarmos de um período de alta taxa de juros na economia visando conter uma alta inflação.

Cenário 2: baixa de juros na economia

Confira agora este gráfico:

Gráfico Cenário baixa de juros na economia

Neste caso, uma taxa de juros menor identifica-se uma clara oportunidade de uma maior alocação em renda variável.

É importante frisar que essa percepção depende do estudo macroeconômico por parte do gestor de investimento, e não somente das possíveis taxas de retorno oferecidas pelos diferentes produtos financeiros.

Quais os tipos de investimentos mais rentáveis?

Quais os tipos de investimentos mais rentáveis?Como exploramos, identificar os investimentos mais rentáveis irá depender do suitability e do período em que o investimento está sendo realizado.

Ou seja, o seu perfil como investidor e do cenário econômico atual. Além, claro, da correta interpretação dessas variáveis para escolher onde alocar o seu capital.

Em épocas de baixa taxa de juros é recomendável uma maior alocação em renda variável.

Similarmente, em épocas de taxa de juros alta, é recomendável alterar a composição da sua carteira.

Um investidor conservador terá êxito nos seus investimentos quando sua carteira obedecer a política de investimento adequada para o perfil do cliente.

Agora que você já conhece os tipos de investimento existentes, entenda mais porque você deve considerar gerir seu patrimônio fora dos bancos.

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