Quais são os riscos de investir em fundos de investimento?

Quais são os riscos de investir em fundos de investimento?

A pauta investimentos tem sido cada vez mais difundida ao passo que fica menos deturpada. Foi-se a época em que investimento era “coisa de gente rica”.

Mas será que estamos conversando sobre investimentos da maneira correta?

Investimento é como uma moeda: tem dois lados

De um lado da moeda temos o retorno, do outro lado está o risco.

O retorno definitivamente é o lado mais famoso quando o assunto é finanças, mas o risco, menos comentado, é igualmente importante.

O retorno é uma medida que só faz sentido quando colocamos em perspectiva o risco assumido:

  • Quanto maior o retorno almejado, maior deverá ser o risco ao qual a carteira deve estar exposta para buscá-lo.

É importante que, antes de tomar qualquer decisão sobre produtos de investimentos, os potenciais investidores considerem algumas informações acerca do produto avaliado, tendo em vista sua situação financeira e seus objetivos de investimento.

De maneira geral, pode-se dizer que, ao buscarem produtos de investimento que atendam às suas demandas de retorno financeiro, os potenciais investidores devem, também, considerar custos e, principalmente, os riscos envolvidos.

Riscos de Investimentos em geral

Riscos de Investimentos em geralOs fundos de investimento, não diferentemente de todos os outros investimentos, estão sujeitos a alguns fatores de risco.

Neste momento, é possível que alguns leitores rebatam essa afirmação:

  • Mas meu investimento no CDB do banco XYZ é garantido pelo FGC.”

Outros podem até pensar:

  • Mas eu sei que o amigo do meu vizinho do condomínio tem um investimento que rende 5% ao mês, garantido, sem risco!”

Vamos entrar com mais calma nesses exemplos, mas, de cara, devemos partir de um princípio universal:

  • Não há investimento sem risco.

Isso não é necessariamente ruim, afinal sem o risco, não haveria o retorno.

Por fim, vamos detalhar quais são os riscos de fundos de investimento para que você possa mensurar o risco das suas aplicações financeiras e assumi-lo de acordo com sua tolerância.

Risco da Renda Fixa

Afinal, renda fixa tem risco?

Investimentos de renda fixa correspondem a ativos que representam o esforço de uma instituição pública ou privada, ou mesmo do governo, em levantar recursos para o financiamento de projetos próprios específicos.

O nome “renda fixa” advém da previsibilidade, mesmo que limitada, acerca dos retornos esperados, uma vez que estes são acordados e já determinados no momento inicial do investimento.

Uma das modalidades de rentabilização dos ativos de renda fixa, e que já cumpre com o objetivo deste exemplo, é a pós-fixada – atrela-se a rentabilidade do ativo à performance de algum índice de mercado (ex.: 112% do CDI).

Deste modo, se o índice apresentar queda, o ativo em questão terá um rendimento menor do que aquele esperado no momento inicial do investimento.
Gráfico Taxa DI Pré

Adaptado de B3 – Índice DI

Mas e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)?

Fundo Garantidor de CréditoQuando pensamos na estrutura do Fundo Garantidor de Créditos, o que a maioria de nós temos em mente é que os investimentos em ativos emitidos por instituições financeiras estão garantidos até um certo limite por CPF.

Por outro lado, o que não ponderamos com frequência – e deveríamos – é quanto tempo demoraria para, no caso de falência da instituição financeira, termos nosso dinheiro de volta.

De acordo com o próprio órgão:

  • “Não há como o FGC estipular um prazo (para pagamento da garantia) porque depende de informações que são passadas pelo Interventor ou Liquidante conforme for o caso.”

De fato, ao pesquisarmos sobre o histórico de intervalos de pagamento das garantias, desde a decretação do regime de uso do FGC até o pagamento, é possível verificar que já existiram prazos de 0 dias, assim como já existiu um prazo de 3 anos e 8 meses (veja o histórico aqui).

Já parou para pensar no que seria ter que esperar mais de 3 anos para poder ter seu dinheiro (ou parte dele) de volta?

E vale mencionar, ainda, que desde o momento do exercício da garantia, até o momento em que o dinheiro chega no seu bolso, ele não está sendo rentabilizado.

Dessa forma, um investimento que parecia ter uma rentabilidade acima do mercado, passa a ter um rendimento inadequado frente ao risco corrido.

Risco dos golpes

Muitos de nós já ouvimos pelo menos um caso de investimento que promete grandes lucros financeiros em uma velocidade quase que absurda – o famoso dinheiro fácil e rápido.

Se você, leitor, é aquele que conhece a história do amigo do vizinho de condomínio que investe naquela oportunidade imperdível que eu citei acima, não caia nessa – é uma pirâmide financeira.

O Ministério Público Federal publicou uma cartilha muito interessante sobre esse assunto:

Guia Prático - Pirâmides Financeiras

Fonte: “Guia Prático – Pirâmides Financeiras” – Ministério Público Federal

As pirâmides financeiras nada mais são que esquemas que visam iludir investidores através de promessas irreais de retorno financeiro.

É possível que os idealizadores consigam angariar lucro através da entrada de novos participantes, mas este lucro apenas existirá enquanto novos membros entrarem no esquema.

No momento em que a sequência de novos entrantes for interrompida, as receitas minguam, os pagamentos não são realizados e se iniciam os prejuízos.

Agora que passamos por alguns dos riscos mais comuns (e mais esquecidos) de investimentos individuais, você já é capaz de imaginar quais são e como se dão os riscos de vários investimentos conjuntos, todos agrupados dentro da estrutura de um fundo, não é mesmo?

Alguns números sobre fundos de investimento

Você sabia que nos últimos 16 anos a oferta de fundos de investimentos no mercado brasileiro aumentou aproximadamente 390%?!

Atualmente, no Brasil, existem mais de 17 milhões de contas ativas de investidores em fundos!

Gráfico - Fundos de investimento no Brasil

Adaptado de ANBIMA – “Consolidado Histórico de Fundos de Investimento”

Os fundos de investimento têm se tornado alternativas de investimento extremamente atrativas para qualquer tipo de investidor:

  • desde os que só desejam uma alternativa mais rentável que a tradicional poupança;
  • até os mais agressivos que aceitam perdas relevantes no curto prazo em prol de grandes lucros no longo.

Mas por que investir através de fundos?

Fundos de investimento são uma maneira fácil e acessível de se fazer investimentos elaborados e complexos.

Através de sua estrutura nos moldes de um condomínio, os investidores serão os cotistas pertencentes à esse condomínio – para ingressar, basta comprar uma cota.

Por trás da estrutura de fundos de investimento, existem alguns profissionais responsáveis pelo sucesso desse modelo de investimentos.

  • O gestor – é quem tem a expertise nos investimentos e define as estratégias de alocação de recursos;
  • O administrador – é o responsável pelo funcionamento do fundo e por defender os interesses dos cotistas. É ele quem presta contas (inclusive sob a ótica jurídica) aos órgãos reguladores;
  • O custodiante – é quem detém a guarda dos ativos do fundo que o gestor escolheu comprar;
  • O regulador (afinal, tem que ter alguém de olho nesses 17 mil fundos…) – é aquele que elabora regras de funcionamento e fiscaliza seu cumprimento para todo o mercado de capitais.

Por se tratar de um modelo de investimento elaborado e complexo, todos esses profissionais atuam visando um objetivo:

  • proporcionar aos cotistas do fundo de investimento o maior retorno financeiro possível dado o mandato de risco daquele fundo.

Mas, afinal de contas, quais são os riscos de investir em fundos de investimento?

Mas, afinal de contas, quais são os riscos de investir em fundos de investimento?

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os principais riscos aos quais um fundo de investimentos está exposto são decorrentes dos ativos que o fundo compra e não da estrutura do fundo em si.

Os riscos incorridos por um fundo de investimentos podem ser resumidos em cinco grandes conceitos:

  • Risco de mercado
  • Risco de crédito
  • Risco de liquidez
  • Risco operacional
  • Risco legal

Risco de Mercado

É aquele que faz os ativos valorizarem e desvalorizarem.

Os ativos financeiros estão sujeitos a sofrer impactos em seu desempenho (rentabilidade) de acordo com as flutuações de preços e cotações no mercado, taxas de juros e resultados das empresas emissoras – dentre outros fatores mercadológicos, econômicos, políticos.

Essa variação nos valores dos ativos é conhecida como volatilidade, e é uma medida que representa risco de mercado.

Uma das vantagens dos fundos de investimentos, com relação à este tópico de risco de mercado, é a possibilidade de diversificação.

Diversificação é uma maneira de mitigar riscos através do investimento em ativos de distintos emissores, classes, setores.

Quando tratamos de investimentos individuais, executar a diversificação pode ser complicado e custoso, uma vez que o valor de compra dos ativos é definido pela quantidade (lotes) e preço mínimo estabelecidos em sua emissão (ações podem ser compradas em lotes de 100 quantidades; uma unidade de debênture pode ter o preço de dez mil reais).

Por outro lado, quando compramos uma cota de um fundo de investimento, estamos comprando uma fração de todos os ativos já adquiridos por este fundo, sem lotes mínimos de ativos.

Risco de Crédito

É aquele quando o emissor do ativo não cumpre com suas obrigações.

Quando compramos um ativo financeiro, é esperado que este ativo vá render juros e, quando a data do vencimento chegar, teremos nosso dinheiro de volta já rentabilizado por esses juros.

O ativo financeiro que adquirimos representa uma dívida do emissor, e o ato de comprar esse ativo é semelhante a um empréstimo que concedemos. Qualquer circunstância que ocorra e acarrete no não pagamento do valor da dívida conforme acordado, será caracterizado como risco de crédito.

Fundos que compram títulos de dívida pública privada estão sujeitos ao risco de crédito.

Porém, por trás da gestão de um fundo de investimentos, há uma equipe de análise que faz o trabalho de avaliar os potenciais ativos para aquisição e selecionar aqueles com menor risco de crédito para que o gestor do fundo possa realizar as compras.

Tratamos esse assunto de maneira mais aprofundada no artigo escrito pela nossa Sócia Analista, Mariana Fenelon.

Ao investir em um fundo de investimentos, então, o investidor transfere a responsabilidade de avaliação de risco de crédito de si mesmo para uma equipe especializada no assunto.

Risco de Liquidez

É aquele quando não conseguimos vender/resgatar o investimento.

Quando há baixa (ou mesmo falta de) demanda por um ativo financeiro, é difícil vendê-lo no mercado por um preço razoável.

Imagine este cenário: adquirimos um ativo financeiro para investimento, mas passado um tempo ocorre um imprevisto e vamos precisar do dinheiro investido.

A alternativa seria vender o ativo. E se não houver ninguém para comprar, como consigo realizar a venda?

No pior cenário (bastante possível), ficaríamos com o investimento na mão, sem o dinheiro, até o vencimento deste ativo.

Quando investimos em um fundo de investimentos, não adquirimos ativos diretos, mas sim cotas desse fundo de investimentos.

Para resgatarmos a aplicação neste fundo, basta solicitar um resgate das nossas cotas: o prazo de resgate (definido pelo Regulamento do fundo) começará a correr e teremos nosso dinheiro na mão ao final.

O trabalho de vender ativos no mercado fica todo à cargo dos gestores do fundo, que são especialistas no assunto.

Risco Operacional

É aquele quando algum ponto do processo operacional sai diferente do esperado.

Você já deve ter visto algum caso de empresa fazendo recall, de carros, de celulares.

Isso se dá quando o processo de fabricação do produto incorreu em alguma falha que a empresa só conseguiu identificar posteriormente à venda, e então ela “chama de volta” esses produtos para poder reparar a situação de algum modo.

Qualquer setor da economia está sujeito a falhas operacionais, e o mercado financeiro não está fora disso.

Um gestor, ao operar a compra de algum ativo, pode errar e colocar uma ordem de venda.

O exemplo é simples, mas cumpre com o objetivo de indicar que qualquer falha operacional na atuação do gestor pode representar possibilidade de perdas.

Todavia, em se tratando de fundos de investimento, a atuação conjunta entre gestor, administrador e custodiante possibilita a minimização de erros operacionais, uma vez que cada um se responsabiliza por uma etapa do contínuo processo de existência do fundo.

Risco Legal

É o risco de não cumprimento da legislação.

Para gerir, administrar e custodiar um fundo de investimentos, os profissionais devem ser licenciados para exercer tal atividade.

Os órgãos reguladores atuam neste sentido: não apenas verificar que quem exerce determinada função poderia a estar exercendo, mas também verificar que quem pode exercer, o está fazendo da maneira correta.

O fato de haver regulação ativa e atuante, não anula o risco legal, mas é capaz de minimizá-lo.

O investimento em ativos fraudulentos, portanto, também configura risco legal. É de extrema importância a verificação e avaliação dos profissionais que estão prestando serviços à você, e um fundo de investimento habilitado a operar, já contará com a chancela dos reguladores do mercado.

Evite riscos ao investir em fundos de investimento

Evite riscos ao investir em fundos de investimento

Agora que você já aprendeu um pouco mais sobre os riscos de diferentes tipos de investimento, principalmente acerca dos fundos de investimentos, é um bom momento para colocar todo esse conhecimento em prática.

Temos um conteúdo que pode te ajudar a escolher os investimentos mais rentáveis!

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