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Quando previdência privada vale a pena e é um bom investimento?

Provavelmente você já ouviu falar de previdência privada. Seja o gerente do seu banco oferecendo, seja quando pensou que estava na hora de começar a investir para sua aposentadoria.

Afinal, previdência privada vale a pena para você? É um investimento? O único objetivo é gerar renda na aposentadoria ou posso aproveitar outros benefícios? Qual a melhor previdência privada?

A verdade é que durante muito tempo eu e a maioria das pessoas que trabalham comigo acreditávamos que a previdência privada era uma péssima escolha.

As altas taxas cobradas pelos bancos em conjunto com a baixa rentabilidade oferecida e a orientação inadequada dos gerentes produzia cenários bem abaixo do que o investidor de sucesso deve buscar.

A boa notícia é que esse cenário mudou.

Nesse post vamos abordar questões mais aprofundadas sobre previdência privada. Se você ainda tem dúvidas mais básicas sobre previdência, dê uma olhada nesse post que reúne as dúvidas mais comuns sobre previdência privada. 

A história da concentração bancária no Brasil

Desde a década de 90, principalmente após a estabilização monetária vinda do plano Real em 1994, percebe-se um movimento mais intenso de concentração bancária ocorrendo no Brasil. Bancos regionais e até mesmo públicos foram consolidados, se tornando grandes instituições financeiras.

Em 1995, o Ministério da Fazenda publicou uma medida que retirava a restrição do capital internacional no setor bancário brasileiro. Em um momento em que a globalização caminhava a passos largos, o setor financeiro não ficaria de fora.

Vamos entender como isso afeta nossa vida financeira…

Geralmente, temos nosso primeiro contato com contas bancárias a partir do nosso primeiro emprego ou talvez com aquela poupança que nossos pais abrem quando somos crianças.

A partir do momento que começamos a ter alguma fonte de renda, estabelecemos um relacionamento com o banco.

Começamos com uma conta salário. A medida que nossas receitas aumentam, buscamos por um cartão de crédito para que possamos comprar bens mais caros.

Eventualmente optamos por financiar um carro e, por consequência, contratamos também um seguro.

Vamos envelhecendo e, com o aumento da renda, passamos a utilizar outros serviços bancários. O gerente observa que temos algum saldo acumulado e prontamente nos liga pra oferecer um excelente investimento (na visão do banco).

Um consórcio, um título de capitalização, uma previdência privada, enfim, qualquer produto que esteja na lista de metas do banco a serem batidas naquele mês.

Toda nossa vida financeira é concentrada nos bancos. O principal problema é que temos poucos bancos no Brasil hoje.

Na tabela abaixo, retirada do Relatório de Economia Bancária do Banco Central, podemos ver que, em 2017, 85,2% dos depósitos totais estavam concentrados nos 5 maiores bancos do Brasil.

A concentração das operações de crédito eram um pouco maiores, ficando em 85,9%.

Fonte: Relatório de Economia Bancária do BACEN de 2017

 

Com a baixa competição entre os bancos, não é necessário oferecer bons produtos aos correntistas para garantir um grande lucro para o banco.

Essa notícia com data de 2016 mostra o início do trabalho das gestoras independentes no campo da previdência privada.

DLM Invista, por exemplo, começou a gestão de seu fundo de previdência em Novembro de 2016. Desde então, a maioria das gestoras independentes já abriu um fundo de previdência que replica suas estratégias na modalidade de investimento comum.

Essa evolução veio pouco após a já consolidada evolução das outras modalidades de investimento via plataformas abertas, distribuindo todos os tipos de fundos e ativos.

Dessa maneira, o investidor pode buscar uma composição de ativos que resulte em uma carteira de investimentos, agora também de previdência privada, adequada ao ser perfil de investidor.

No 6º Relatório de Análise e Acompanhamento dos Mercados Supervisionados, divulgado pela SUSEP em Julho/2018, podemos ver alguns dados referentes à evolução da indústria de previdência privada no Brasil.

 

A previdência tradicional deixou de ser comercializada e por isso permaneceu estável durante o período analisado. O PGBL, um dos tipos de planos de previdência, começou a ser comercializado em 2001.

Esse tipo de previdência obteve certo crescimento no período analisado, porém bastante inferior ao crescimento exponencial obtido pelos planos VGBL, que correspondiam em 2017 a 88% do mercado de acumulação.

Ainda temos uma predominância de participação, assim como no mercado tradicional de investimentos, dos grandes grupos bancários, como podemos ver no gráfico abaixo:

O número de investidores que busca opções melhores ainda é muito pequeno perto dos clientes que apenas aceitam a sugestão do gerente sem procurar se informar.

Por outro lado, considerando o tamanho dos bancos, há de se esperar que haja um posicionamento frente às mudanças que estão acontecendo no sistema financeiro em geral, principalmente com a entrada de fintechs e corretoras.

 

Como a concentração bancária proporciona altos lucros para os bancos e baixo rendimento para os investidores.

 

Podemos entender o baixo rendimento para os investidores sob 4 perspectivas:

 

1. O alto custo: Sempre que um investimento vai ser mostrado ao investidor, as informações são mostradas líquidas dos custos. Isso não é uma opção, os órgãos reguladores fazem essa exigência.

Esse fator é algo positivo para o investidor. De nada adianta buscar um investimento que rende mais se, após o pagamento dos custos, render menos que um investimento com taxas menores.

As elevadas taxas dos fundos bancários, portanto, são traduzidas ao investidor através do baixo rendimento líquido.

Em um caso específico, o caso da Taxa de Carregamento (até pouco tempo atrás amplamente praticada por todos os bancos de varejo), o investidor teria que procurar nas letrinhas miúdas do certificado da previdência se essa taxa se aplicava ou não.

Era comum ver taxas de carregamento de 5%. Nesse exemplo, de tudo que você investe no fundo de previdência, 5% não chega nem a somar no valor investido.

Hoje em dia essa taxa já é menos comum, mas ainda mais praticada do que deveria, prejudicando bastante o investidor desavisado.

2. A gestão pouco sofisticada: O mercado se adapta à demanda do consumidor.

Geralmente o investidor que ainda está no banco, tem um perfil mais conservador (não há nada de errado nisso, apenas é um tipo de investimento que demanda menos sofisticação para fazer se fazer a gestão) e nem sempre acompanha muito o rendimento dos investimentos.

Na lógica de ser um investimento de longo prazo, o investidor deixa de acompanhar os rendimentos e acaba deixando seu patrimônio em um investimento que não rende bem.

3. A baixa adequação ao perfil do investidor: Geralmente o investidor de previdência privada pende mais para o lado conservador. Mas como disse acima, o longo prazo beneficia quem corre um pouco mais de risco.

O foco dos fundos de previdência bancários é a renda fixa para atender o seu maior público, então o investidor mais arrojado fica órfão de bons produtos para atendê-lo e ajudá-lo a acumular um patrimônio maior

4. A baixa qualificação do profissional de investimento: Escolher os melhores investimentos olhando para o futuro é a única alternativa que trará bons resultados.

Escolher estratégias e ativos olhando para o rendimento passado é uma estratégia rasa e com alta probabilidade de erro.

Investir é comprar barato e vender caro. Os ativos que renderam bem nos últimos meses e anos muito provavelmente estão caros. É preciso procurar oportunidades.

Quando o investidor decide melhorar seus investimentos, é importante que o profissional que o auxiliará seja qualificado o suficiente para conseguir fazer projeções através de indicadores que mostrem essas oportunidades e não fique olhando para o passado.

 

 

Afinal, quando a previdência privada vale a pena e é um bom investimento?

 

1 – Quando você está poupando para o longo prazo:

 

Hoje em dia já há pouca ou nenhuma diferença de rentabilidade entre um fundo de previdência e um fundo comum que seja gerido pela mesma estratégia. A vantagem se encontra então no campo tributário.

a) a tabela regressiva:

Ao contar com uma tabela de imposto de renda específica da previdência privada, ela permite que o investidor tenha vantagens, quando investindo para o longo prazo, quando comparamos com outros investimentos comuns.

Vamos utilizar o exemplo de um VGBL regressivo. A alíquota aplicada a cada aporte feito nesse VGBL seguiria a regra abaixo:

Investindo em um fundo padrão (exceto incentivados e fundos de ação), a regra seria diferente:

 

 

 

 

 

A partir de 6 anos de aporte, a alíquota dos fundos de previdência empata com um investimento comum em sua maior alíquota. Entretanto, a grande vantagem se dá realmente após os 10 anos, quando a alíquota atinge 10%.

A menor alíquota que um fundo de renda fixa padrão chega, após 2 anos de investimento, é a de 15%.

Parece pouco, mas analisando percentualmente, após vários anos de investimento, economizar 5% adicionais do que se pagaria de imposto de renda é bastante relevante.

Importante: essa análise não se aplica para o regime de tributação progressivo dos fundos de previdência, que independem do prazo de investimento.

b) o come-cotas: excluindo os fundos incentivados e os fundos de ação, fundos de investimento possuem um adiantamento de imposto de renda que acontece semestralmente.

Esse adiantamento acontece sempre em maio e novembro de cada ano, cobrando 15% de imposto sobre seu lucro, independente do investidor ter feito ou não resgate.

Os fundos de previdência possuem a vantagem do diferimento desse imposto. Isso significa que não há cobrança de imposto até que seja feito o resgate dessa aplicação.

Isso produz um cenário em que esse imposto a ser pago fica acumulado no patrimônio do investidor.

A cada come-cotas que passa o investidor possui conta com 15% do lucro a mais rendendo no investimento!!!

 

2 – Quando você possui uma renda tributável alta:

 

O formato PGBL permite que o investidor utilize seus aportes para reduzir o valor pago de imposto de renda na sua declaração anual.

Ao declarar o imposto de renda no formulário simples, é possível abater automaticamente 20% da base de cálculo do imposto com o limite de R$ 16.754,34 (tabela DIRPF 2019).

Caso o contribuinte possua deduções em um valor superior ao limite do formulário simples, o próprio programa da Receita Federal sugere fazer a declaração no formulário completo.

Nesse caso, até 12% da renda anual tributável pode ser utilizada para investir em um fundo de previdência do tipo PGBL e deduzir esse valor no cálculo do imposto de renda.

Importante: Ao resgatar um fundo de previdência PGBL o cálculo do imposto é feito sobre todo o valor acumulado nesse investimento, diferente do VGBL e dos outros investimentos comuns que tributam apenas o equivalente aos rendimentos.

 

Ultrapassar o valor de 12% também não é indicado pois não será alcançada a dedução fiscal e se incorrerá num imposto maior no ato do resgate do fundo de previdência

 

3 – Quando você já investe em previdência privada:

 

Independente do motivo de já ter uma previdência privada, nem sempre resgatá-la é a melhor opção.

A portabilidade permite que você altere o fundo de investimento que remunera seu recurso investido em previdência privada, e inclusive não há custo ou incidência de IR para fazer essa migração.

Importante ressaltar que você mantém o histórico dos seus aportes, ou seja, o prazo da tributação regressiva não começa a contar novamente!!!

A portabilidade permite alterar a tributação de progressiva para regressiva, mas não permite fazer o movimento inverso. Já o tipo de plano não pode ser alterado.

 

Com esse mecanismo da portabilidade o investidor pode alterar a gestão do fundo de investimento para uma opção mais rentável ou adequada ao seu perfil.

 

4 – Quando você deseja fazer planejamento sucessório

 

Durante muito tempo a maioria das pessoas preferiu investir em ativos reais para formar patrimônio, com um destaque especial para os imóveis. Lotes, fazendas, prédios, apartamentos, enfim, uma infinidade de opções.

Uma desvantagem desse tipo de carteira de investimentos é a baixa liquidez. No caso de um falecimento, se inicia o processo de inventário e nem sempre os herdeiros possuem recursos financeiros líquidos o suficiente para arcar os custos de ITCMD e honorários advocatícios que podem ser bem expressivos em alguns casos.

Quando os herdeiros não possuem o valor para pagar os custos, o juiz geralmente libera a venda de uma parte do patrimônio para arcar com essas despesas.

Como os prazos são apertados e o momento é sensível, nem sempre é possível trabalhar a venda desse patrimônio com tranquilidade, incorrendo em perdas.

Como podemos ver nessa notícia, o VGBL, assim como o PGBL, não entram no inventário e são transmitidos aos beneficiários indicados na apólice com um prazo significativamente rápido após a entrega da documentação de óbito.

 

Conclusão

 

O domínio do mercado de previdência privada por grandes bancos de varejo produziu um estigma de que previdência privada é um investimento ruim.

As altas taxas e a baixa sofisticação da gestão deixavam pouca opção para o investidor.

A entrada das gestoras independentes no mercado elevou o número de opções do investidor e aumentou a eficiência do mercado, cobrando taxas menores por produtos melhores.

A vantagem da dedução da renda anual tributável ao investir em um PGBL, a tabela diferenciada de imposto de renda que incide nos fundos de previdência com tributação regressiva, além do diferimento de imposto (come-cotas) ao comparar com fundos comuns, tornam a previdência privada uma opção interessante de investimento para construir seu patrimônio.

A concentração do mercado de previdência privada nos 5 maiores bancos do país ainda é grande, então ainda temos um longo caminho pela frente em busca de uma rentabilidade mais adequada e, portanto, um acúmulo de patrimônio maior para o futuro.

 

 

 

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