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Por que ficamos perdidos ao começar a investir?

Já tentou procurar maneiras de investir melhor e ficou paralisado frente a tantas fontes de informação? Isso é comum, ainda mais quando cada uma dessas fontes oferece informações bastante divergentes uma das outras

Em uma festa, o cunhado compartilha uma dica de ação, seu pai aconselha a investir em imóveis, seu gerente oferece um consórcio.

E ainda há o Google, onde encontramos mais: criptomoedas, CDB, COE e vários outros. Não é à toa que as pessoas ficam perdidas ao ler e estudar sobre como investir melhor.

A maioria das pessoas trabalha mais de oito horas por dia, algumas ainda chegam a passar horas no trânsito. E, quando chegam em casa, não têm tempo ou energia para buscar aprender mais sobre assuntos que não sejam relacionados a sua atividade profissional.

A maioria quer apenas cumprir as atividades essenciais, passar um tempo com a família e descansar um pouco.

O mercado de investimentos, entretanto, ainda é um dos assuntos que demanda bastante energia e dedicação. O tempo vai passando e o patrimônio vai se acumulado na poupança ou naquele fundo que seu gerente indicou. Até você perceber que isso vai custar caro no futuro.

Nessas situações, as pessoas buscam entender um pouco mais sobre o mercado financeiro e suas diversas aplicações. Entretanto, ao invés de facilitar, parece que os artigos e vídeos complicam a situação ainda mais. E também a sensação de estar perdido se instaura. O passo seguinte costuma ser uma inércia com relação ao assunto e mais uma postergação da decisão.

Por será que isso acontece?

Basicamente por 2 motivos:
  • Nosso cérebro não é muito bom em tomar decisões que incluam muitas opções, por mais simples que pareçam
  • O ser humano valoriza muito o Status .

 

Motivo 1 – Não somos bons em avaliar muitas opções

Quem nunca ficou indeciso ao chegar no restaurante e encontrar um menu com quarenta sabores de pizza e no final pediu o mesmo sabor de sempre?

Em sua palestra TED Talk, Barry Schwartz fala um pouco sobre um estudo de previdências privadas feito pela gestora norte americana Vanguard. Nestes fundos, o funcionário contribui com uma parte de seu salário e a empresa cobre este aporte até um determinado valor. Por exemplo, se o funcionário investisse 3% do seu salário, a empresa colocaria o mesmo valor. O que significa um ganho de 100% imediatamente. De acordo com o estudo feito pela Vanguard, a cada 10 fundos adicionais oferecidos por uma empresa, o número de inscritos no plano caía 2%.

A razão pelo decréscimo no número de novas adesões a um dos planos de previdência da empresa é justamente nossa dificuldade em avaliar muitas opções. Se há apenas um plano, a decisão é fácil e não há muito o que pensar a respeito. Porém, quando se tem muitos fundos diferentes para analisar, a decisão parece ser tão mais complexa. Tanto que muitos funcionários a deixam para depois e muitos chegam a deixar de receber até cinco mil dólares em contribuições de suas empresas.

 

Motivo 2 – Nós supervalorizamos o Status Quo.

Mas o que seria isso? Status Quo é uma expressão que significa “o estado das coisas”. Ou seja, o estado atual de algo ou a situação atual. Em alguns casos, é o que chamamos de “zona de conforto”.

O ser humano geralmente valoriza o status quo e costuma ser avesso mudanças porque elas podem ser prejudiciais à sua sobrevivência. Trata-se de uma certa programação do nosso cérebro que remonta aos nossos ancestrais mais primitivos. Por exemplo, se voltarmos aos primórdios da humanidade, todos sabiam que uma certa fruta azul era comestível, mas ninguém sabia nada sobre a fruta vermelha. Se alguém comesse a tal fruta e morresse envenenado, não passaria seus genes adiante. Como consequência, os humanos que tiveram medo do desconhecido aprenderam a não comer a fruta vermelha, sobreviveram e passaram seus genes adiante, juntamente com este instinto de evitar o desconhecido.

Esse medo saudável do desconhecido fez a humanidade avançar com cautela e minimizar o impacto das coisas negativas.

Nossos cérebros carregam este instinto básico até hoje e ele entra em ação sempre que precisamos sair da zona de conforto e experimentar algo novo.

Um outro exemplo seria um estudo sobre doação de órgãos realizado pelos autores Johnson e Goldstein. Nesse estudo exibiram o percentual de doadores de órgãos de diversos países. De acordo com o estudo, 100% dos motoristas dos países Áustria, França, Hungria, Polônia e Portugal faziam parte do programa de doação de órgãos. Por outro lado, outros países como Dinamarca, Holanda, Reino Unido e Alemanha apresentavam números como 4%, 28%, 17% e 12%. O que causou essa discrepância tão grande entre os países?

Por que será que Dinamarqueses optavam por não doar seus órgãos? Será que eles eram egoístas, frios e individualistas e que os portugueses, por outro lado, eram mais amigáveis e solidários?

Na verdade, a enorme discrepância entre os doadores de órgãos dos países mencionados foi causada exatamente por ser uma decisão muito séria e complicada. E também por uma pequena diferença nos formulários dos departamentos de trânsito destes países.

Os formulários dos países com baixa adesão apresentavam uma opção que dizia “marque a caixinha ao lado se você quiser fazer parte do programa de doação de órgãos”. Os motoristas ficavam paralisados pela seriedade da questão, não marcavam e não participavam do programa. Já os formulários dos países com altíssima adesão apresentavam uma opção que dizia “marque a caixinha ao lado se você não quiser fazer parte do programa de doação de órgãos”. Os motoristas ficavam paralisados pela seriedade da questão, não marcavam e participavam do programa.

Por ser uma questão tão decisiva, tão importante, as pessoas optavam por manter o status quo e postergavam a decisão.

A grande questão é que em alguns países o status quo era ser doador e em outros, não ser.

Se você achou este assunto interessante e gostaria de saber outras ilusões cognitivas que temos no nosso dia a dia, talvez queira assistir a excelente palestra do professor Dan Ariely.

Quando uma pessoa começa a estudar sobre o mercado financeiro, ela é imediatamente bombardeada com diversas siglas e palavras nunca ouvidas antes. Por exemplo: CDB, LCA, LCI, Tesouro Direto, custodiante, volatilidade, e muitas outras expressões.

Essa enxurrada de novas informações gera uma complexidade. E, com isso, muitos investidores se sentam perdidos ao começarem a investir e posterguem o momento de tomar uma decisão e melhorar suas aplicações.

Cada dia que a decisão rumo a investimentos mais sofisticados é postergada por essa paralisia é um dia a menos de retorno para os investimentos e para o seu futuro. E, infelizmente, esses dias costumam se transformar em anos.

 

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