Os dilemas do empresário e soluções via M&A

Mesmo o empresário já sendo uma pessoa realizada pessoal e financeiramente, é comum, mais cedo ou mais tarde, ele enfrentar diversos dilemas após ter dedicado a maior parte de sua vida para o seu negócio (“sua grande obra”) e ter construído seu patrimônio, abdicando do tempo para si próprio, sua saúde, família e amigos. Eis alguns destes dilemas:

  • Considerando a idade ou outras prioridades na vida: “devo realizar o passado, vender a minha empresa e colocar dinheiro no bolso”?
  • “Investi e reinvesti todo o recurso gerado na própria empresa e não tenho patrimônio na pessoa física. Como equacionar o risco da empresa vis-à-vis a pessoa física?”
  • Com idade avançada, “o dia-a-dia está cada vez mais pesado e não visualizo quem irá assumir o meu lugar. Devo contratar um executivo, preparar meus filhos para um Conselho de Administração, vender toda ou parte da empresa para um sócio que vai assumir a gestão?”
  • Dificuldades de continuidade: o empresário tem o desejo de permanecer no negócio, mas tem um conflito societário (familiar ou desalinhamento entre os sócios). Como solucionar?
  • Encara a dura realidade de que inovação e tecnologia vieram para ficar e ele não possui o conhecimento necessário para promover uma mudança e antecipar movimentos de mercado ou de concorrentes. O que fazer?
  • A empresa precisa de recursos de curto e médio prazos para sobrevivência ou crescimento. Quais são as alternativas de capitalização que não as linhas tradicionais dos bancos?

Para todos os dilemas acima e outros vários, a ferramenta societária e empresarial de fusões e aquisições (M&A, do inglês, “mergers and acquisitions”) pode oferecer uma solução, desde que bem estruturada. Exemplificativamente, pode-se citar o seguinte:

  1. A venda da empresa para um investidor, concorrente, player estratégico sediado no Brasil ou no exterior, ou até mesmo para um cliente ou fornecedor (estratégia conhecida como verticalização), pode trazer a liquidez desejada pelo empresário. No entanto, a confidencialidade da operação e a escolha assertiva dos alvos a serem acessados são cruciais para o desenvolvimento e conclusão bem-sucedidos da transação. O vazamento de informações sobre a venda junto a clientes, fornecedores e colaboradores ou o acesso equivocado e descuidado a alvos podem afetar a imagem da empresa e comprometer seu desempenho, destruindo valor da própria empresa e afetando negativamente a chance de a venda ocorrer;
  2. A venda parcial ou a captação de um investidor para a empresa podem solucionar dilemas diversos do empresário como a mitigação de riscos deste ativo, a solução de problemas de sucessão ou a saída de um ou mais sócios do negócio, solucionando questões de cunho societário. Podem ainda trazer o know-how e os recursos necessários para a profissionalização da empresa, implantação e desenvolvimento de novas tecnologias, equacionamento da situação financeira ou para o impulsionamento dos negócios. Contudo, esta modalidade de operação traz novos desafios e questões a serem acompanhadas de perto pelo empresário como, por exemplo, o tipo de investidor a ser convidado a analisar a oportunidade, a governança corporativa a ser estabelecida entre as partes para a tomada de decisões na empresa, o nível de controle a ser cedido, o alinhamento de culturas e expectativas na nova sociedade, além de vários outros. Uma sociedade é uma relação de difícil dissolução que, espera-se, durará por anos. Para se evitar conflitos futuros é de suma importância que se estabeleçam, já no início da parceria, os acordos e regras da relação entre as partes.

Além dos pontos de atenção em operações de fusões e aquisições já citados, é importante ressaltar a componente “momento de mercado” no processo de decisão sobre se e quando efetuar a transação de venda parcial ou total de uma empresa. No Brasil, a agenda do empresariado é sensivelmente mais voltada para o mercado interno e para o raio de atuação de suas próprias empresas. Pouco se observa e se estuda, no país, os movimentos e tendências de mercado internacionais. Esta observação e estudo permitem a identificação de boas oportunidades de mercado para uma transação.

Nos casos acima citados ou em qualquer outro, para um bom desfecho de uma operação de M&A, é preciso que haja um planejamento detalhado e uma execução precisa do projeto. O planejamento deve começar pela busca de respostas para os dilemas do empresário.

Por se tratar de um tema estratégico, as discussões iniciais sobre a ida de uma empresa a mercado devem envolver apenas o empresário, os acionistas e um especialista de M&A, que pode mostrar caminhos e conduzir todo o projeto. Uma vez delimitado o problema, é a hora de “colocar informações na mesa com gente que entende” para que se estude as opções, detalhe o plano de ação e o execute com cuidado até seu fechamento.

Vitor Sadala (vs@imeri.com) e Christiano Moysés (cm@imeri.com).

Vitor e Christiano fazem parte da equipe da Imeri, uma empresa especialista em soluções para os dilemas empresariais.

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