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Fundos: efeitos positivos na desintermediação de crédito

Desintermediação de crédito

A desintermediação chegou às nossas vidas e não vai embora. Este artigo pretende abordar o que está ocorrendo no mercado de crédito, nosso ofício aqui no Asset Management, o que traz efeitos muito positivos aos investidores em geral.

Quando se investe em um banco para se obter uma boa taxa sobre o CDB ou LCI, é necessário que os prazos sejam alongados. Isso acontece porque os bancos captam dos poupadores e emprestam às empresas, ficando com os resultados desta intermediação: os spreads. Porém, os fundos de crédito surgiram para serem um veículo de desintermediação bancária, ou seja, eles fazem a ponte direta entre captadores (emissores) e investidores (cotistas dos fundos). Coloca-se capital nas empresas produtivas diretamente, alavancando e movimentando a economia. Por eliminarem um nível na negociação, como em toda desintermediação, os retornos são mais interessantes, pois os fundos de crédito conseguem imprimir diversificação, segurança e liquidez.

O mercado de gestão de investimentos brasileiro vive uma era de forte crescimento que pode ser explicada a partir de uma série de fatores igualmente potentes. Destaco aqui a internet, as redes sociais e a adoção cotidiana da tecnologia (sobretudo através de celulares), que impulsionam a informação, antes restrita e pouco disseminada, de que é possível ao investidor comum obter resultados melhores que aqueles tradicionalmente ofertados pelos bancos. Ressalto também os juros mais baixos que o mundo e o Brasil experimentam, que forçam uma diversificação maior dos portfólios, aumentando a demanda por títulos que ofereçam retornos mais altos, emitidos por companhias que tenham acesso ao mercado.

Por fim, destaco o crescimento das plataformas abertas que não se coadunam aos interesses dos grandes bancos de manter restrita e muitas vezes enviesada a oferta de bons produtos aos seus clientes. Ganha o mercado ao ganhar mais capilaridade e pulverização e ganha o investidor que passa a contar com opções muito mais elaboradas e rentáveis do que apenas os tradicionais CDBs bancários.

A evolução de nosso mercado financeiro também da ponta da oferta, têm proporcionado que as empresas estejam reperfilando suas dívidas ou financiando seu crescimento de uma forma crescente através do mercado, entendidas já suas vantagens sob a ótica do acionista. Apesar dos percalços e tropeços, o Brasil tem evoluído sim, e muito. Nesta seara, a cada dia cresce a desintermediação nos investimentos. Hoje, os investidores contam com uma sorte enorme de possibilidades de alocação, dentre as quais focarei nos fundos que investem em crédito privado.

Estes fundos são veículos que alocam seu patrimônio em valores mobiliários – sobretudo debêntures – emitidos por companhias de grande porte, pois somente estas têm condições de acessar o mercado. Às debêntures somam-se outros, tais como títulos emitidos por instituições financeiras e títulos públicos para seu caixa.

Seus portfólios são compostos por dezenas de títulos, trazendo pulverização e diversificação de prazos (pelas diferentes durations) aos detentores de cotas, além do mais importante: a seleção profissional e criteriosa da carteira, visando produzir os melhores resultados aderentes a cada mandato. Fundos possuem ainda a vantagem de liquidez final aos cotistas, o que sempre é bom.

E por que interessa às companhias emissoras acessar o mercado de capitais? Quando se trata de investimentos, quanto maior a previsibilidade na análise, menor tende a ser o risco. O mercado de capitais, como importante veículo financiador da capitalização das empresas e, consequentemente, do crescimento econômico, demanda um ambiente com menos incertezas e mais transparência para o seu desenvolvimento. Nos mercados mais desenvolvidos e, cada vez mais, nos mercados em desenvolvimento, o financiamento pelas companhias acontece por intermédio do mercado de capitais, que financia a ampliação de estruturas produtivas, aquisições e até sua internacionalização.

Neste contexto, pela ótica da empresa que acessa o mercado, seu valor é dado pela razão entre sua geração de caixa e seu custo de capital. Quanto mais saudável seu balanço e mais imbuída dos princípios mandatários da governança corporativa, maior a valorização potencial das ações, pois são descontadas a uma taxa menor. Mesmo racional vale para seus títulos de crédito, que neste caso seriam emitidos a taxas menores e prazos mais longos à medida desta percepção (ceteris paribus). A taxa de desconto considera o custo da dívida e o custo da taxa livre de risco da empresa. Comumente, os analistas do mercado financeiro utilizam uma taxa denominada Weighted Average Cost of Capital (WACC), a qual pondera o risco total da empresa para o cálculo do seu valor.

Nesse sentido, é importante aos investidores dos títulos mobiliários emitidos no mercado (debenturistas e/ou acionistas) compreender a cultura e práticas de gestão adotadas pela diretoria executiva sob orientação do conselho de administração das companhias, este último (o Conselho) cumprindo um propósito estratégico, o qual, como vantagem intangível, também serve à reputação organizacional, realizando checks and balances do planejamento no âmbito qualitativo e quantitativo. O cumprimento das regras do jogo ajuda a sustentar a credibilidade da empresa, influenciando positivamente seu acesso ao mercado. Isto porque os bons resultados, atingidos de forma correta, influenciam e beneficiam outros públicos – fornecedores, funcionários, formadores de opinião, clientes e a comunidade como um todo – gerando confiança e boa avaliação em relação à empresa.

Então, por conseguinte, uma reputação positiva, respaldada por um balanço sólido e um bom modelo de negócios, são o que possibilita atrair investidores e diminuir custos do capital, deixando evidente a circularidade envolvendo governança corporativa e reputação organizacional. Estes são os predicados que buscamos para a composição de nosso portfólio, para então olharmos obviamente a precificação e melhor operacionalização dos fundos.

Espero ter compartilhado um pouco desta visão, pois realmente acreditamos que estamos mergulhados na desintermediação, contribuindo para as empresas e o país, e obviamente trabalhando pelos melhores resultados aos nossos cotistas dos fundos de crédito.

* Marcelo Castro Domingos é economista e sócio fundador da DLM Invista

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